“Não sei se as pessoas choram de forma diferente
umas das outras, eu choro contraída, como se alguém estivesse perfurando
minha alma com uma lâmina enferrujada, choro como quem implora, pare,
não posso mais suportar, mas o insuportável é uma medida que nunca tem
limite, eu chorei no domingo, na segunda, na terça, em várias partes do
dia e da noite, um choro de quem pede clemência, de quem está sendo
confrontado com a morte, eu estava abandonando uma vida que não teria
mais, eu sofria minha própria despedida, morte e parto, eu tinha que
renascer e não queria, não quero, sinto que caí num vácuo, perdi a parte
boa da minha história, e não quero outra, enquanto choro penso que se
alguém me visse chorar dessa maneira me salvaria, prestaria socorro,
chamaria uma ambulância, eu nunca vi você chorar, você alguma vez chorou
por mim, você sofre a minha ausência, sente minha falta?”
- Marta Medeiros.